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O glossário da rua

O vocabulário do graffiti e do sticker art, uma frase por termo. Quase tudo emprestado do inglês e raramente explicado — é por isso que está aqui.

All-city
Ser visto por toda uma cidade, de uma ponta à outra. O elogio mais difícil de obter, porque se mede em quilómetros percorridos.
Bite
Copiar o estilo de outra pessoa. É a acusação mais séria do meio, e não se retira.
Blaze
O nome que um writer escolhe e assina. Um blaze curto pinta-se depressa, e isso não é pormenor.
Bomber
Cobrir uma zona depressa e em quantidade. O contrário do trabalho lento e cuidado, assumido como tal.
Buff
A remoção pela câmara ou pelo dono: água a alta pressão, tinta por cima, raspagem. O buff faz parte do ciclo e toda a gente sabe.
Burner
Uma peça acabada, complexa, que esmaga visualmente o que a rodeia. Diz-se de uma parede, não de um sticker.
Cap
O bico de uma lata de spray. Um cap fino traça um risco de lápis, um cap largo enche uma parede — mudar de cap muda o gesto todo.
Crew
Um grupo que pinta junto e assina com uma sigla comum. Não é hierarquia, é assinatura partilhada.
Fill-in
O preenchimento de uma letra, por oposição ao seu contorno. É aí que vai a cor, e o tempo.
Flick
A fotografia de uma peça. Como quase tudo acaba apagado, o flick é muitas vezes a única coisa que fica.
Getting up
Dar nas vistas: pôr muito, muitas vezes, em todo o lado. Aqui conta a quantidade, não a qualidade.
Going over
Tapar o trabalho de outra pessoa. Tolerado se o que se põe é melhor, tido como insulto se não.
Hall of fame
Uma parede onde pintar é permitido e onde se leva o tempo que for preciso. Tem o melhor trabalho de uma cidade, porque ali ninguém tem pressa.
Handstyle
A caligrafia de um writer, a forma como traça o seu blaze. Tão reconhecível como uma assinatura, e pela mesma razão.
King
Quem domina uma linha de metro, um bairro, uma cidade. O título toma-se, não se dá.
Paste-up
Um cartaz desenhado à parte e depois colado. Sai sem estragar a parede, o que faz dele a forma mais suave de colar.
Piece
Abreviatura de masterpiece: uma obra trabalhada, a várias cores, que pede tempo e uma parede de onde não é preciso sair a correr.
Roll-up
O rolo de pintura, para cobrir muito grande muito depressa. Pouca finura, muita superfície.
Slap
Um sticker colado na rua. A palavra vem do gesto: bate-se com ele no suporte ao passar.
Spot
O sítio escolhido. Um bom spot é visível, alcançável e dura — os três ao mesmo tempo é raro.
Stencil
O estêncil: uma forma recortada aplicada com spray. Rápido de pôr, reproduzível igual.
Sticker bombing
Cobrir uma superfície de stickers, os teus e os dos outros, até ela desaparecer por baixo. Caixas de correio inteiras acabam assim.
Tag
A assinatura, feita depressa, numa só cor. A forma mais simples e mais antiga, e aquela sobre a qual mais se discute.
Throw-up
Duas cores, letras arredondadas, alguns minutos. Entre o tag e a peça, e pensado para a velocidade.
Toy
Um principiante, ou alguém que cola mal. Não é insulto quando se aceita, e é muito quando se nega.
Wheatpaste
A cola de farinha e água usada nos paste-ups. Agarra muito bem, custa quase nada e faz-se numa cozinha.
Writer
Quem escreve — a palavra que o meio prefere a «graffiter» ou «artista». Diz bem o que é: letras, antes de tudo.
Yard
Um parque de comboios ou de autocarros. O terreno mais cobiçado e mais arriscado, e aquele que fundou toda a cultura.